quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Liverpool, Locutor da ESPN e Marcação


Hoje, o visitante Liverpool venceu o Unirea da Romênia por 3 a 1 e se classificou para as oitavas de final da Liga Europa. Na primeira perna, jogando em casa, os Reds venceram por 1 a 0 e é sobre este jogo que eu quero comentar.

Esta partida foi disputada na quinta-feira passada (dia 18) e o time do capitão Steven Gerrard (foto) penou para derrotar a equipe romena. O gol só saiu aos 81 minutos. Babel cruzou da esquerda, o espanhol Pacheco escorou de cabeça e N'Gog fuzilou, também de cabeça, para o fundo das redes.

Durante a partida, o ótimo narrador Paulo Andrade (boa voz, vibração, narração em cima dos lances), da ESPN, só falou mal do time do Liverpool e do jogo.

O loucutor e lenda viva José Carlos Araújo da Rádio Globo-AM (RJ) costumava dizer, que "narrador esportivo tem que ser um animador de espetáculo".

O cara não pode ficar o tempo todo depondo contra o evento narrado por ele. Por pior que seja o evento. Caso contrário, ele me autoriza a mudar o canal ou a desligar a televisão.

E o que se viu na tal partida, caro internauta? Um típico jogo de ataque contra defesa. Jogando em casa, o time da terra do Echo and The Bunnymen buscou o gol o tempo todo e o Unirea se defendeu. Mas se defendeu com muita, muita eficiência.

Renunciando ao ataque, sem cometer faltas, marcando na bola, os jogadores do time romeno demonstraram calma durante toda a partida. Um time sereno, ninguém gritando com ninguém. Uma postura zen quase budista.

Todos marcando todos os adversários, cobrindo os espaços, deixando mais de um marcador na sobra, diminuindo o campo.

Defensores, meias, e atacantes se propuseram a não deixar o adversário jogar e fizeram isso sem deslealdade e, como já disse, com eficiência total. [ok, oquei, até os 81 minutos]

Pronto, basta isso para o brasileiro não gostar. E tome de críticas, por parte do tal locutor da ESPN, ao time do Liverpool e à partida. "O time não tem criatividade; o time parece desinteressado; o time é fraco; o jogo é ruim; bom jogo será o do próximo sábado, blá, blá, blá". E olha que o cara nem é comentarista: está ali para narrar o jogo.

Quando o torcedor está vendo um jogo do seu time, pouco importa o nível técnico da partida. Ele quer a vitória do seu clube e ponto. Depois de 81 minutos torcendo por um gol, quando ele sai o torcedor vibra, comemora e espera ansiosamente pelo apito final do árbitro.

Não havia espaço para o time do Liverpool, mas os seus jogadores até que distribuíram bem o jogo, tentaram abrir espaços pelas pontas, procuraram atrair a marcação, tentaram bolas alçadas na área adversária, chutes de média e longa distância e... ...nada.

O que faltou - além de alguns titulares que desfalcaram o time - foi velocidade nos raros contra-ataques.

E tome do sibilante locutor da ESPN falar mal do time dos Reds, ler estatísticas históricas desfavoráveis ao Liverpool (aliás, este é um hábito dele), criticar o jogo em si.

Sem exagero: já estava ficando constrangido de estar assistindo ao jogo com uns amigos (e torcendo feito um louco; sou torcedor dos Reds). Cheguei a temer que um deles me dissesse: "muda de canal, Alexandre!".

Brasileiro tem que entender, que - em certas situações - entrar em campo para se defender é uma opção estratégica válida. E quando ela é bem sucedida, mesmo um adversário mais técnico não consegue jogar o seu futebol.

Claro que por sermos um país que teve Didi, Gérson, Pelé e Garrincha, entre outros inúmeros cracaços, valorizamos mais a criação.
Que bom isso! Faturamos cinco Copas do Mundo (!) - sendo que as duas últimas já com um bom poder de marcação também.

No entanto, atualmente, aqui no Brasil, o que se vê são jogadores que não sabem marcar, dar o bote na bola, tirar o espaço do adversário, e aí cometem faltas o tempo todo. Para mim, isso é que é jogo feio. Assim, como também é mais fácil fazer gol estando livre de marcação.

O "Titio" Orlando Fantoni, técnico Campeão Carioca de 1977 com o Vasco, dizia: "com um bom ataque eu ganho um jogo. Com uma boa defesa eu conquisto um campeonato".

Hoje, não tem essa de ataque e defesa. Todos atacam e defendem - o tal do fut total.

Cansei de assistir a jogo do Man Utd com o time goleando e aos 88 minutos o Cristiano Ronaldo dando chutão na sua área ajudando a defesa.

No Liverpool, o atacante Dirk Kuyt também desempenha esta função. É bem verdade que para fazer isso é necessário ter um excelente preparo físico e aqui atrasam salários e aí fica difícil cobrar preparação fisíca e afins.

Bom, hoje teve a segunda perna e o Liverpool ganhou por 3 a 1 do Unirea (Mascherano, Babel e Gerrard marcaram para os Reds). O jogo foi narrado na ESPN por outro Paulo: Soares, o "Amigão", que animou o espetáculo. Foram quatro gols, mais espaços e alguma correria.

Entretanto, neste jogo, o Liverpool apresentou sérias deficiências. O Unirea jogou procurando o ataque e inúmeras vezes levou muito perigo à meta de Pepe Reina. O time romeno só não marcou mais gols por ter sido incompetente nos arremates.

O meio-de-campo do Liverpool não marcou bem (que saudade do Xabi Alonso...), a defesa se posicionou mal, laterais reservas e improvisados não foram eficientes no apoio e jogando assim não vejo futuro para a equipe na competição.

Mas, muito provavelmente, este jogo deve ter agradado mais a quem vê o futebol pela ótica do sibilante narrador da ESPN.


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Evoé Momo !!! Tempo de Samba e Fantasia


Tempos atrás, se comentava que não se via qualquer manifestação carnavalesca nas ruas do Rio de Janeiro na época do Carnaval.

A maior festa popular brasileira estaria morrendo. Nada mais de blocos, confetes e serpentinas nas ruas.

Decadência nos salões: os bailes não atraíam mais ninguém.

A Cidade Maravilhosa virava quase uma Cidade Fantasma. Muita gente ia embora; pouca gente chegava.

O Carnaval carioca parecia estar resumido ao Desfile das Escolas de Samba - que aliás, com algumas exceções, começavam a ficar cada vez mais parecidas entre si.

Entretanto, em diversos estados nordestinos, a festa continuava espontânea, popular e de rua.

Tudo mudou quando a garotada carioca resolveu botar o bloco na rua: literalmente. Os Blocos de rua foram reaparecendo e tomando conta da paisagem carioca.

A alegria carnavalesca invadiu a cidade. Os saudosos sorriram satisfeitos; quem não conhecia aderiu. Evoé Momo !!! Evoé Baco !!! Que beleza...

Tempos depois, o Rio vive um engarrafamento de Blocos. A impressão que se tem é que qualquer reunião com mais de quatro pessoas em bares e botequins vai virar Bloco e ganhar a liberação da prefeitura da Cidade e depois as ruas.

E o que se vê? Um bando de gente andando com latinha de cerveja na mão acompanhando o cortejo. Sim, porque, tirando o pessoal da bateria e do carro de som, a maioria esmagadora não tem a menor ideia do que está sendo cantado.

E como o som normalmente é muito ruim, depois de um tempão de Bloco na rua, os foliões continuam a ignorar o que é entoado, berrado do carro de som.

"Mas que mau humor", dirão os meus desafetos; mas, pensem comigo: nenhuma festa popular baseada em música pode viver sem... ...música !!!
 
A indústria do entretenimento não investe em marchinhas, sambas, música de carnaval. Só rola o disco "Sambas de Enredo do Ano Tal" e pronto.

Colchetes: [é claro que existe uma galera que vive o samba doze meses ao ano. Pessoas que frequentam as Escolas de Samba e são do meio. Amam o carnaval e ainda mais o samba]

Na sua maioria, a garotada vai aos Blocos para ver e ser vista. Um tremendo climão de Baixo Gávea (point aqui do Rio).

E tome de homem musculoso sem camisa. Ainda tem mais essa: agora, os Blocos trazem muito mais homens com menos roupa do que mulheres com pouco pano - é mole?

O pior é que a grande maioria desses caras não faz outra coisa a não ser andar pra cá e pra lá (devem ficar esperando que as garotas falem com eles...).

Até os meus desafetos vão concordar comigo: não é nada agradável ficar debaixo de um Sol desumano, suando uma barbaridade, bebendo cerveja quente cobrada acima do preço normal, ouvindo sambas ou marchinhas desconhecidas num som terrível (sem chance de aprendê-las) e vendo homens fortes sem camisa.

PQP !!! Tô fora !!! E a destruição dos canteiros, jardins, entradas de prédios, homens urinando em qualquer lugar e as latas de cerveja jogadas nas calçadas ???

E a música? E quando a música que é tocada e cantada não é uma composição própria do Bloco? A bandinha ou o carro de som ataca de: "Olha a cabeleira do Zezé/Será que ele é/Será que ele é...".

PQP 2 !!! "Cabeleira do Zezé", "As Águas Vão Rolar", "Sassaricando", "Índio Quer Apito", "Mamãe Eu Quero" e afins são do tempo do meu tataravô !!!

Uma garotada que não se interessa por samba o ano inteiro; aí, quando chega o carnaval, desata a cantar as marchinhas do tatataravô ???

Cidade Maravilhosa ??? Ah, que saudade da Ghost Town...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O Cartão de Apresentação de uma Banda

Li a matéria sobre a banda do filho do Gilberto Gil na Revista O Globo deste último domingo e fiquei curioso sobre o som dos caras. Quer dizer... ...esta curiosidade só durou até eu ver a foto dos integrantes da tal banda.

Explico: quando uma banda ou um(a) artista de rock ou afins sobe em um palco, enquanto os instrumentos são plugados, afinados, antes de começar o show já sabemos mais ou menos do que se trata. Já temos uma ideia do tipo de som, o gênero da banda ou do(a) artista.

O que "denuncia" isso? Ora... ...a roupa, os cabelos, os sapatos (ou a falta do "pisante"; pense numa Maria Bethânia sobre um palco).

Mas voltando à banda do filho do Gil: o garoto se chama Bem Gil e a tal banda é a Tono. E afinal, qual é a dos caras? Não faço a mínima ideia. Não pesquisei na Internet. Não me senti estimulado.

Entretanto, não quero fazer um juízo de valor de uma banda que eu não conheço e sim aproveitar este gancho acidental, para pensar sobre o "design" de bandas.

O que se vê na foto da Revista O Globo é o retrato de um tipo específico de músico jovem carioca, que faz uma música que é um híbrido de nada com coisa alguma.

Saca aqueles jovens que frequentam o Posto Nove (praia de Ipanema aqui no Rio), o bairro de Santa Teresa, a noite da Lapa tomando chope em copo de plástico de pé, vai ao Circo Voador (casa de shows) assistir a alguma apresentação de uma banda brasileira de reggae de raiz e costuma gritar "toca Raul" nos shows?

Posso estar errado, mas a impressão que eu tive da tal banda do filho do Gil foi essa. Sei que a maresia leva a este estado de espírito largadão, tranks, "beleza?" e etc; mas o som que este tipo de atitude, comportamento proporciona geralmente não acrescenta nada.

Normalmente, rola um tremendo dejaouvi maleta. [o pior é que muitas outras bandas brazucas, que não fazem este tipo de som, também adotam este look "largadão de ser"]

Estou sendo preconceituoso, eu sei, mas só no que se refere ao visual da banda. Para qualquer jovem americano ou do Reino Unido, por exemplo, o visual é um complemento do som da banda. É uma coisa tão importante quanto a música.

Não se justifica um preconceito pelo fato do cara ser filho do Gilberto Gil. É claro que este fato facilita a divulgação do trabalho artístico; mas se a banda for boa, só teremos a ganhar com a divulgação do trabalho.

Quando surgiu, o Strokes era citado como "a banda do filho do John Casablancas" - fundador da Elite Model - e depois conquistou o seu espaço por ser uma banda phoda (!).

Aliás, o visual do Strokes diz muito sobre eles. De uma maneira geral, músico brasileiro não se preocupa muito com o visual (e o vocal também) da banda. "Você toca? Toco. Vamos montar uma banda? Vamos!" E pronto.

Criatividade não tem nada a ver com ter grana. Como se sabe, os punks ingleses criaram um estilo em meio ao desemprego e a crise financeira que se abateu sobre a Inglaterra no final da década de 70.

Como o atual cenário da música no Brasil (em todos os gêneros) é desanimador, torço para estar equivocado. Neste caso, por puro preconceito, terei perdido uma boa banda brasileira em início de carreira.


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cria da Globalização, Cyber-Fan é o Torcedor sem Fronteira


Cresce a torcida à distância por clubes e atletas de qualquer lugar do Brasil ou do mundo

Em tempos de globalização, o amor por um clube de futebol ou um(a) desportista pode superar limites geográficos. Navegando na Internet, os torcedores virtuais acompanham campeonatos de várias modalidades esportivas ou a trajetória de clubes e atletas de qualquer lugar do Brasil e do mundo.

O tempo da monocultura do futebol restrito aos clubes do estado do torcedor, definitivamente ficou para trás. Hoje, com a velocidade de informação além-fronteiras, novos torcedores ou meros admiradores ampliaram o ato de torcer: uma torcida sem limite geográfico ou temporal.

Competições esportivas de qualquer tempo e lugar podem ser resgatadas em filmes baixados na grande rede, por exemplo, e ela, a Internet, pode se transformar em um lugar onde estes torcedores sem fronteiras, que fogem da tradição regionalista, se encontrem.

Foi o que aconteceu com Rodrigo Marques (foto): um carioca de 27 anos, que escolheu torcer de forma fanática pelo São Paulo Futebol Clube. Cansado de assistir as partidas do Tricolor paulista sozinho, Rodrigo resolveu arregimentar outros torcedores que amassem o time do Morumbi em plagas cariocas.

Resultado: em 2007, depois de ser bem sucedido na sua empreitada, Rodrigo recebeu, com pompa e circunstância em solo carioca, o título de "Embaixador do São Paulo no Rio de Janeiro" das mãos do ex-presidente - que dirigiu o clube em dois mandatos de 2002 a 2006 - Marcelo Portugal Gouvêa. Na época, o dirigente era vice de planejamento da gestão Juvenal Juvêncio.

Rodrigo, que tem doutorado em Sociologia, faz um paralelo entre a forma como ele e o seu pai torciam e acompanhavam os seus times.

- No tempo do meu pai, que é torcedor do Flamengo, ele só podia acompanhar o time pelo noticiário do jornal ou pelo rádio. Hoje, eu entro no GLOBOESPORTE.COM e sei de tudo o que rola no São Paulo, com textos, fotos e vídeos, e posso assistir aos jogos pelo pay-per-view com os meus amigos - explica.

Diploma e passaporte

Para poder torcer com companhia, Rodrigo usou a mesma Internet, que lhe aproximou do Tricolor. Ele criou comunidades em sites de relacionamentos, disparou e-mails para os amigos antigos e os recém-conquistados e, depois de muito trabalho, reuniu um grupo, que ele diz não ser uma torcida organizada, para assistir aos jogos em um bar no bairro de Copacabana - na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Em 2006, com quase três mil pessoas cadastradas e com um site no ar, Rodrigo apresentou à diretoria do São Paulo a proposta de representar o clube no Rio.

- O clube levou um ano avaliando a minha solicitação e depois, para a minha surpresa, recebi um diploma, um passaporte e me disseram que o ex-presidente do clube viria ao Rio me diplomar e conhecer os outros torcedores - relata.

O grupo reúne cariocas de todas as partes do estado e pessoas de outras regiões do Brasil, que estão no Rio e torcem pelo São Paulo, como o casal João Paulo e Fernanda Alves.

Ele, paranaense que está estudando no Rio, e ela, carioca e apaixonada pelo Tricolor do Morumbi, se conheceram nas reuniões em dias de jogos e estão namorando há um ano.

Paixão por tenista russa

Também fã de futebol, Gustavo Priolli tem 19 anos, estuda Administração, adora tênis e é um torcedor apaixonado pela tenista russa Elena Dementieva. Esta paixão começou, quando ele tinha 14 anos. Gustavo joga tênis no Clube Payssandu no Rio de Janeiro.

O seu fanatismo pela tenista russa era tão conhecido, que ele acabou ganhando, de um professor do clube, um quadro com a foto da jogadora, que decorava uma sala de troféus.

- No meu notebook, tenho uma pasta com fotos da Dementieva e muitos filmes de jogos dela baixados na Internet. Eu a acompanho em torneios pela televisão ou pagando para assisti-la pela Internet em certas competições. Na pior das hipóteses, quando ela está jogando, consulto um site internacional só com resultados em tempo real - conta o jovem fã.

Fanatismo por time de Portugal

Joaquim Gomes Macedo é dono do Bar Simpatia, que fica no bairro carioca do Leblon. Português e fanático pelo Benfica, ele é assinante de uma TV a cabo, que permanece ligada dia e noite em canais esportivos no seu bar. Quando chega em casa, Joaquim navega pela Internet atrás de notícias do seu clube ou de jogos antigos.

- É fantástico poder rever na Internet o genial Eusébio em jogos inesquecíveis e históricos. Este ano, o Benfica é um forte candidato ao título. O Leixões começou bem, mas eu sabia que era um "cavalo paraguaio" - diverte-se.

Joaquim lembra que os portugueses mais velhos, que moravam no Brasil, só podiam se informar sobre o Campeonato Português através de um programa de rádio, que ia ao ar aos domingos e dava uma geral na competição.

Tempos distantes dos quais Adriane Gradel nem imagina como foram. Ela é torcedora do Liverpool da Inglaterra e já teve um Blog, onde comentava e marcava reuniões em dias de jogos, que eram assistidos no apartamento do seu namorado ou em um Pub na Zona Sul do Rio.

- Comecei a assistir aos jogos meio que por acaso. Gostei das partidas com poucas faltas do Campeonato Inglês e me apaixonei pelos Reds em 2003. Aí, com aquela campanha inesquecível da Liga dos Campeões do ano seguinte, nunca mais me separei do Liverpool - revela Adriane.

Desencaixe e reencaixe

Separação do tempo do espaço: Rodrigo Marques cita a teoria do "desencaixe" e "reencaixe" do sociólogo britânico Anthony Giddens na obra "As Consequências da Modernidade" de 1998.

- Quando assistimos a um jogo do São Paulo no Morumbi, estamos a muitos quilômetros de distância do local do jogo e ficamos cantando, como se estivéssemos lá. Isso é o "desencaixe". O tempo e o espaço estão desvinculados ali. Vivemos aquela experiência no mesmo tempo, porque o jogo é ao vivo, mas não no mesmo espaço. Vivemos aquilo, estando ausentes - explica Rodrigo, que ainda acrescenta:

- No "reencaixe" temos meios que permitem vivenciar uma realidade em uma nova estrutura de relação entre tempo e espaço. O rádio já proporcionava isto; mas, hoje, os novos meios são mais poderosos e permitem, que experimentemos mais coisas com capacidade sensorial muito mais ampla - compara.

Quando um cyber-fan acompanha um clube-além-fronteira e não apenas uma transmissão esportiva, ele recebe informações de outras culturas e não apenas o relato factual de uma partida. Rodrigo enfatiza a questão da liberdade e tradição.

- Há também um sentido de liberdade de escolha implícito aí. Podendo se inserir em novos pontos no espaço-tempo, via meios de comunicação, você tem mais opções e pode ampliar a sua gama de possibilidades de construção identitária: é como se a sociedade se movesse para além de suas tradições. Um mundo sem acesso às novas informações, tende a se repetir ciclicamente. Este novo mundo é um tanto diverso. Tende a destradicionalizar-se - conclui.



[matéria produzida por mim, em fevereiro de 2009, para o site GLOBOESPORTE.COM]

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Mundo Louco de Arthur e Vincent


Protelei, protelei e quase pensei em cancelar este post por puro ciúme.

Saca aquelas bandas (ou artistas solo) que você gosta tanto, que chega a ter um certo ciúme delas? Eu sei, eu sei... ...é ridículo...

"The Crazy World af Arthur Brown" é o nome da banda e do ótimo álbum de estreia (da banda) do despirocado e inacreditável vocalista e músico inglês Arthur Brown (foto).


Bem, a safra não poderia ser melhor: 1968. PQP !!! Se você pensar no que foi produzido e gravado em 1968... [...e se pensar que o punk 77 rachou tudo ao meio menos de dez anos depois...]

Arthur Brown era um malucão que fazia música e performances fantásticas, psicodélicas e à frente do seu tempo.

No que deve ser um dos registros desta música, o vídeo de "Nightmare", faixa do citado álbum de 68, é insano !!!

Pode ser que eu mude de ideia na próxima semana ou daqui a cinco anos, mas esta apresentação é o melhor clipe (clipe?) que eu já vi na vida. A performance da banda é absurda. A locação é um sóbrio escritório (terá sido um programa de TV?). E o que são as pessoas que assistem e dançam ??? Sensacional !!!

Tudo o que as bandas de hoje querem reproduzir e...

...não conseguem.

E detalhe: hoje, este típo de estética vende. No tempo dele, assustava. E o cara estava muito bem acompanhado: o inglês Vincent Crane era um maníaco (e depressivo também) ao teclado !!!

O fantástico e transtornado tecladista bipolar tocou com o baterista Carl Palmer na banda de Arthur Brown e depois levou o batera para a sua Atomic Rooster.

Ray Manzarek parece um tecladista de churrascaria perto de Vincent Crane.


OBS: sim, Carl Palmer é o mesmo que depois ficaria famoso na virtuose e meio "maleta" Emerson, Lake & Palmer.

Ainda na ativa, Arthur Brown está com quase 70 anos e é cultuado por diversos artistas, que o convidam para apresentações e gravações.


Vincent Crane deve estar tocando o seu teclado, com Frank Zappa, no andar de cima.

E no de baixo também.


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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Uma Tarde com Celso Pitta em Ipanema

Não me lembro se foi em 2004 ou 2005. Fui almoçar no meio de uma tarde de sábado. Na verdade, pode ter sido em um domingo. Foi no restaurante Via Farme, na Farme de Amoedo em Ipanema, aqui no Rio de Janeiro.
 
Especializado em massas, este restaurante nem existe mais. Uma pena: boa comida a um bom preço. Para a minha surpresa, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta (na foto, com a Polícia Federal) estava sentado em uma mesa próxima a minha.
 
Não esperava encontrar a abonada figura em um restaurante frequentado por mim. Só o notei, depois de ter feito o pedido. Fiquei desconcertado.
 
Como o ilibado homem público - indiciado pelos crimes de evasão de divisas, operar instituição financeira sem autorização, falsidade ideológica, fraude na Administração de Sociedade Anônima e formação de quadrilha; além de ter sido réu em treze processos, acusado de superfaturar obras e desviar verbas públicas - podia estar ali perto de mim, cercado por vários outros cariocas e não ser importunado ???
 
O que ele fez com o dinheiro público ??? O que ele fez com o dinheiro do nosso imposto ??? Será que ele iria pagar as contas de todo mundo que estava no restaurante ???


Por não acreditar nesta hipótese, comecei a falar alto: fiz uma cena. A minha comensal e namorada na época, que era repórter da Rede TV, ficou nervosa. Eu continuei o meu protesto solitário.
 
O gerente veio a minha mesa saber se estava tudo bem. Disse a ele que não, e lhe pedi uma mesa no segundo andar. Ele me disse que o segundo andar estava fechado e eu ameacei deixar o estabelecimento.


Muito solícito, o gerente se prontificou a abrir o segundo andar. Não só fez isso, como ligou o ar condicionado e mandou outro garçom nos atender, exclusivamente, no andar de cima.
 
Satisfeito com o meu ato cívico, almocei um delicioso Fettuccini aos Quatro Queijos (um dos meus dois pratos preferidos).


Depois, de sobremesa, pensei no fato de nós cariocas sermos receptivos ao extremo com todo mundo. O publicitário paulista Washington Olivetto, assim que se mudou para o Rio, disse que "No Rio, basta tomar um banho de mar, para se tornar carioca".
 
O carioca tem a fama de ser o povo mais hospitaleiro do mundo (se eu não me engano, acho que uma ONU-da-vida chegou a nos dar este título); mas, também não deveríamos exagerar e deixar que um indivíduo com uma folha corrida como essa fique à vontade por aqui.
 
Na época, saiu na imprensa que o ex-prefeito vinha ao Rio regularmente, para se encontrar com uma loura moradora do Leme. De fato, uma loura o acompanhava à mesa naquela tarde do meu ato cívico.
 
Lembrei-me de tudo isso ao ler no último sábado sobre a morte de Celso Pitta. Agora, ele não poderá fazer mais nada com o dinheiro público. Mas, certamente, alguém se beneficiará da sua "obra" em vida. A herança da ilibada figura deverá beneficiar seus dois filhos e a sua mulher.
 
Com sorte, eu terei um dinheiro para comer um Fettuccini aos Quatro Queijos no próximo fim de semana.




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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Meu Encontro com Eric e Chanel



Ontem, véspera de feriado, assisti ao filme "À procura de Eric" do diretor inglês Ken Loach.

Apesar de torcer pelo LIVERPOOL e o filme abordar torcedores e um craque do Manchester United, uma história envolvendo futebol inglês, pub, torcida e Eric Cantona (foto) me despertou interesse.

O famoso Bonequinho de O Globo aplaudindo de pé - além da própria crítica que justificou esta cotação - me deixou ainda mais animado.

No entanto, saí do Estação Ipanema decepcionado. O filme promete futebol, Eric Cantona, comédia, drama, romance e um pouco de ação no final, mas não cumpre nada disso.

Ken Loach gosta da classe operária? Legal ! O filme retrata pessoas comuns com aparência comum nada a ver com os/as Brangelinas das telas? Ótimo!

Agora, o foda é que o filme não é engraçado, o drama é banal (e até este fato poderia dar uma boa história), o romance é patético (também poderia ser bom por isso), a ação é uma caricatura, não tem futebol (nenhuma cena com os torcedores assistindo a um jogo em um pub ou em Old Trafford - estádio do Manchester United -, por exemplo) e o Cantona apareceria jogando por mais tempo, pelo YouTube, na tela do meu notebook.

OBS: fãs dos Red Devils aparecem em um pub conversando e esperando o início de um jogo pela UEFA Champions League; mas, quando a partida começa, a cena termina em alguns segundos.

O problema de "À procura de Eric" é não ter uma história interessante.


Não há história a ser contada. Entretanto, o título é bom ("Looking for Eric" - o protagonista, que se auto-analisa, é homônimo do craque francês), o bad boy casca grossa Cantona filosofando e psicanalisando é uma ótima piada e a cena final da "Operação Cantona" é a única coisa que vale o filme (o YouTube também resolveria neste caso).

Em determinados momentos, fiquei escorregadão na poltrona; em outros, torcendo para que o filme acabasse logo (para sair do cinema).


Acho que não revelaram a verdadeira intenção do Bonequinho.

Ou então ele torce pelos Diabos Vermelhos.

CANTONA X CHANEL - FILME DE HOMEM X FILME DE "MULEZINHA"


No fim de semana passado, tentei assistir a este filme do Ken Loach lá na Gávea, mas a lotação esgotada me jogou na sala onde foi exibido "Coco antes de Chanel".


Pensei: "porra (!), eu querendo ver futebol inglês, torcida e clima de pub e vou assistir a um filme de uma costureira, ops, estilista de bacana ??? Que merda !!!".

Quebrei a cara !!! O filme da diretora Anne Fontaine é excelente !!! [e eu fui apresentado à Chanel].

O fato é que na edição deste mês da Rolling Stone (Brasil), o crítico Edu Fernandes escreveu: "O objetivo desta cinebiografia é atingir o público feminino, por causa do pioneirismo de Chanel, e pessoas envolvidas no meio fashion, pela importância histórica" (sic). [ele não diz de quem ou qual importância].


É curioso como os críticos (os "fazedores" de opinião) superestimam os "filmes de homem" e rebaixam os "filmes de mulher". Qualquer merda testosteronada com ação, porrada e esportes é bem recebida e, quase sempre, as comédias românticas são classificadas como ruins.

Existem excelentes filmes com ação, porrada e esportes, e péssimos filmes deste gênero. Assim como no caso das comédias românticas e afins. Filme bom é filme bom, e filme ruim é filme ruim. Em qualquer gênero.

"Coco antes de Chanel" é um ótimo filme para todas as pessoas que se interessem por cinema ou pela história fascinante (e muito bem contada) de uma revolucionária.

Filme videogame é filme videogame.

E videogame é melhor no PlayStation.



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